‘Recuperação judicial não é o fim, mas um recomeço para a empresa’, diz CEO do Grupo Barão

Depois de enfrentar dificuldades que causaram rupturas de estoque, fechamento de lojas e demissões de funcionários, o Grupo Barão finalmente iniciou seu processo de recuperação judicial (RJ). A partir de agora, a empresa espera se reerguer e se fortalecer no mercado.

O CEO do Grupo Barão, Hebert Ribeiro Araújo — sócio majoritário da rede Super Barão e do Bão Atacarejo — afirma que as lojas já vêm sendo reabastecidas gradualmente. Segundo ele, os fornecedores retomaram o apoio, o que contribui diretamente para a normalização dos estoques.

Além disso, Hebert informa que, em breve, a empresa apresentará o plano de recuperação judicial. Dessa forma, o documento incluirá as previsões para o pagamento da dívida, estimada em cerca de R$ 110 milhões. Em seguida, a empresa o submeterá à aprovação em assembleia de credores.

Com 33 anos de atuação no mercado, 11 lojas em operação e 800 colaboradores, o Grupo Barão aposta na força da sua marca. Hebert Ribeiro acredita na capacidade de recuperação, retomada do crescimento e geração de novos empregos em Goiás.

Qual o contexto de dificuldades que levaram aos problemas?

A principal dificuldade surgiu com a pandemia, cujos efeitos persistem até hoje, como a alta inflação e os juros elevados. Como o varejo opera com margens apertadas, essas variáveis afetaram fortemente os resultados.

Desde então, a inflação dos alimentos não voltou ao patamar anterior. Por isso, os efeitos negativos continuam a impactar o setor.

Quando surgiu a necessidade de buscar uma solução?

A equipe da empresa acompanha os indicadores de forma constante. A partir do ano passado, a alta na taxa Selic comprometeu o caixa. Diante desse cenário, o grupo começou a se preparar para o desafio que já antevia. Como resultado, os números sofreram impactos diretos.

Quando a recuperação judicial passou a ser considerada? Houve alternativas?

A equipe considerou a recuperação judicial após uma análise criteriosa. Com apoio técnico de consultorias contábil e jurídica, concluiu que a RJ representava o melhor caminho. O negócio é viável, mas o cenário atual exige estratégias firmes para garantir a continuidade.

A decisão foi tomada com base em estudo?

Sim. A empresa reuniu especialistas que ofereceram embasamento técnico para a escolha. Com base nesses estudos, Hebert assegura que a decisão foi acertada, principalmente pela força da marca Barão, consolidada há mais de três décadas.

A empresa teve problemas com manifestações de funcionários?

Sim, mas, conforme Hebert explicou, uma falha de comunicação provocou pânico. Apesar disso, o grupo manteve seus compromissos e salários em dia. Por esse motivo, o empresário acredita que o alarde ocorreu por desinformação.

Quantas lojas foram fechadas?

Das 24 lojas, 11 continuam funcionando. O grupo fechou sete unidades e vendeu outras quatro a empresários independentes. Na capital, encerraram quatro lojas; no interior, três: Jaraguá, Inhumas e Goianira.

Quantos funcionários foram demitidos e como ficaram os acertos?

A empresa demitiu cerca de 600 funcionários. O plano de recuperação judicial prevê o pagamento das verbas rescisórias, de acordo com as etapas do processo.

O que mudou com o deferimento da RJ?

Após o deferimento, o Grupo Barão iniciou a retomada das operações. As reativações começaram na semana passada e já apresentam resultados positivos. Os fornecedores voltaram a apoiar a empresa, valorizando sua trajetória e reputação.

A Justiça determinou que os fornecedores mantivessem o fornecimento?

Sim, mas a empresa optou por preservar a parceria de confiança. Hebert reforça que o Barão não pretende forçar relações comerciais com base em ordens judiciais. Ao contrário, quer manter a colaboração construída ao longo de 33 anos.

Em que fase está o plano de RJ? Há previsão de pagamentos?

O plano será apresentado nos próximos 60 dias. Após essa etapa, a assembleia de credores analisará o conteúdo. Com a aprovação dos credores, o Judiciário poderá homologar o documento. A empresa divulgará o cronograma de pagamentos junto ao plano.

A empresa ainda mantém 800 colaboradores?

Sim. O grupo conta com 800 funcionários diretos, além de empregos indiretos. A direção reconhece sua responsabilidade social e atua para preservar os postos de trabalho e, futuramente, ampliar o quadro.

Qual é o valor da dívida?

A dívida está em torno de R$ 110 milhões. Menos da metade corresponde a fornecedores. O restante envolve instituições financeiras, colaboradores e outros credores.

As lojas já estão totalmente reabastecidas?

Ainda não. A empresa continua a reabastecer gradualmente as unidades, superando obstáculos logísticos e renegociando com fornecedores. No entanto, a previsão é que até o final de julho todas as lojas estejam 100% abastecidas.

A empresa já tem metas de vendas?

Sim. O planejamento comercial já está em execução. As metas buscam manter a saúde financeira da companhia. Embora o número de lojas seja menor, a expectativa é otimista com o retorno da confiança dos clientes e parceiros.

O que precisa mudar na economia?

É necessário reduzir os juros e controlar a inflação. Dessa forma, o consumidor recuperará o poder de compra, beneficiando toda a cadeia produtiva, incluindo empresários e fornecedores.

Qual conselho você daria a outras empresas em dificuldade?

A recuperação judicial representa um novo começo. O empresário deve enxergá-la como uma estratégia de proteção e continuidade. Portanto, buscar apoio técnico e manter o planejamento são passos fundamentais. Hebert acredita que o Barão sairá mais forte, como já aconteceu com outras grandes empresas que superaram esse processo.

Fonte: https://opopular.com.br/economia/recuperac-o-judicial-n-o-e-o-fim-mas-um-recomeco-para-a-empresa-diz-ceo-do-grupo-bar-o-1.3283972

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